segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Quando eu urino...



Na minha casa, olho pela janela do banheiro;
No trabalho, olho pra parede e conto azulejo;
Na rua, no pé do poste, olho pros lados pra ver se vem alguém;
No mictório público, olho pro meu pinto (pra não ver o de ninguém).

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Escrita em abril de 2007. Minha memória pode me enganar, mas eu acho que escrevi isto após aliviar algumas cervejas antes de ir pra cama dormir.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Viver (rascunho)



Procuro por um futuro,
Achar ideias, motivos
E sair de cima do muro.

Traçar uma linha, metas
Seguir por um caminho
E deixar o passado atrás

Continuar, quero, viver...

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Escrita em abril de 2007. Um autorretrato (nova regra ortográfica de 2009). Muito Curto. Enfim...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Falta mais tempo



O tempo é relativo.
O pouco tempo pode parecer "tanto tempo" quando estamos juntos.
O mesmo tempo parece ser "muito tempo" quando estamos separados.
E quando temos tempo, ele passa rápido: "o tempo voa".

Hoje é segunda.
Ainda tem uma semana inteira pela frente.
Queria ouvir tua voz.
Me contento em imaginar você calada, me olhando, e, sorrindo, dizer: "o que foi?"

Senti frio ontem.
Pensei em você reclamando também.
Preferi não pegar um agasalho.
Queria me aquecer apenas com a saudade.

É cedo pra te dizer.
E não vou falar.
Quero te mostrar
Que mais adoro, você.

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Escrita em julho de 2008. Não gostei muito deste. Está muito cru, faltou trabalhar um pouco mais em sua lapidação. Fica aqui publicado apenas para registrar que um dia escrevi isto.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Distante, digo tanto.



Distante,
Digo tanto.
Enquanto
Não é encanto,
Fico aqui,
No canto.

Um canto,
Contristado.
Notas tristes,
Acordes solitários.
De acordar
Sem você
Ao meu lado.

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Escrito em julho de 2008. Mais um rascunho que não toquei mais. Gostaria de ter trabalho um pouco mais neste e, talvez, ter colocado mais duas estrofes.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um dia de solidão



O mundo já não tem mais as mesmas cores,
As comidas, ficaram com os mesmos sabores.

De todos cheiros, só um me atrai
O mesmo cheiro que não vem mais.

Chego em casa cedo, sozinho
Sentindo-me, cada vez mais, pequenino

Se tudo foi vão, digo que não
Sei que paixões vêm e vão.

Amargo a decepção de não fazê-la feliz
Sabes que muito tentei, esforcei-me
Mas não fui eu quem assim quis.

Por medo de ser feliz, seguistes outro caminho
Deixou-me voltar pra casa mais cedo
E, absorto em meus pensamentos, sozinho,

Apenas lamento mais um dia de solidão...

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Escrita em julho de 2007, mais um rascunho que nunca mais foi trabalhado e concluído.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tempo, tempo, tempo


Tempo, tempo, tempo...
Tanto ou tão pouco,
Dedicação, empenho.

Tempos bons, risos.
Tempo ruins, tristes,
Ser casado é isso.

Parece que casamos ontem,
Com você, imagino meu amanhã
Pouco tempo estamos juntos,
Tanto tempo pra nunca acabar!

Se irei viver muito, sei não.
Mas sonho onde vou estar.
Velhinho, segurando sua mão,
Viajando pelo mundo, vamos lá!

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Escrito em 01 de novembro de 2016, data que comemoramos 4 anos de casados.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Cachorro Vadio


Sou um cão de rua
Um cachorro vadio
O sabor de um cio
É como carne crua.

Sou um cão vira-lata
Um cachorro sem gosto
Do lixo, almoço é posto
De restos, refeição lauta.

Mas sou um cão fiel
Do dono, não largo.
Até de um mendigo
Que me trate com fel.

Enxotado, muito sofri.
Vivo sem destino certo.
Da minha vida, verso.
Há quem dela muito ri.

Não ligo, sou feliz.

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Escrita em março 2007.
Essa foto é uma das minhas preferidas. Fiz durante a prática de uma oficina de fotografia. Aprendi muito com ela.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Furada


Os furos numa flor
De um amor furado.
Coração perfurado,
De ciúmes e rancor.

Furo que não tapa,
Soma-se a outros.
E de tantos furos,
O coração para.

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Escrita em março 2007. A flor foi o mote. Tem um pequeno furinho nela. Dá pra entender que o relacionamento foi "uma furada"? Ciúmes destroem relacionamentos, principalmente quando tem viés patológico.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Andar, pensar, ficar.


Ando sem pensar,
Penso em parar
E aqui, ficar

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Escrita em janeiro 2007. Pensei em complementar, mas decidi que "aqui, ficar" tá bom demais.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Com um pingo, brinco.


Uma gota que cai
Um pingo salgado
Tristeza que esvai.

Uma gota no chão
Enche uma poça
Alegrias que vão.

Ontem, chorei,
Amanhã, beberei.

Hoje, apenas brinco
Fotografando um pingo.

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Escrita em dezembro 2006. O mote foi a foto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Amor, felicidade e lágrimas.


O amor proibido,
Não é impossível.
Pode ser adiado,
Mas não apagado.

Meu coração arde, queima,
Por não poder ser por alguém.
Mesmo assim, ele ainda teima,
Não há de bater por outrem.

Somente os teus braços me acalmam.
Teu sorriso, teu carinho, me conforta.
"Por outro, também pode sentir", falam
"Por nenhum, tanto sofri", é o que importa.

Quero viver o que escolhi,
Escrever minha história.
Meu coração que bate, por ti
Ele tem vida própria.

Contra, não adianta lutar.
Se eu não consigo mudar,
Ninguém mais conseguirá.
Então, só me resta chorar.

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Escrita em novembro 2006 para uma amiga carioca que conheci somente pela net. Partilhávamos da cinofilia pela mesma raça.
Na época, ela passava por uma complicação amorosa e eu pouco pude ajudar. Faltava-me conhecê-la mais para poder dizer algo que não pudesse fazê-la errar ou pudesse machucá-la.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O mel é doce, mas o ferrão dói.


Qual será o gosto do mel
Tirado da flor de urucum?
Será o gosto amargo do fel?

Tu não me enganas mais,
Sei que, em jardins, não voas
O bom e doce mel, já não faz.

O ferrão ainda usa, sem dó
Ferroa e deixa o veneno
Morra junto, torne-se pó

Morrem, cada qual em seu lado
Sem se verem, apenas supõem
Que o outro esteja morto, enterrado.

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Escrito em novembro de 2006.
As abelhas produzem um mel doce, mas a ferroada dói. E quando ferroam a nós, deixam com o ferrão, parte do abdome para morrerem logo em seguida. Elas morrem sonhando que mataram.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O caminho do velho homem.


Por vários caminhos, por todos descaminhos
Sem destino certo, o velho homem seguia.
Tendo como companheiro, fiel amigo canino.
Que por muitas vezes, no escuro, lhe era guia.

Não lembrava, o velho homem, de onde viera.
Tampouco pensou, nem um só dia, onde chegaria.
Vagava sem direção, mais um passageiro na Terra.
Dizia-se livre, mas era escravo de sua própria alforria

Tropeça, ao longo dos caminhos, em pedras.
Pobre velho homem. A verdade não enxerga.
Levanta-se, machucado, queda após queda.
A natureza, sábia, sua descrença enverga.

Surge-lhe, segurando uma vela, uma jovem sábia.
"Este é o caminho certo a seguir", disse ela.
Seu fiel cão é contra. Rosna. Usa sua lábia.
Mas o homem o doma. E da sábia, aceita a vela.

Segue, o velho homem, o caminho apontado.
Para a curiosidade, acendeu um a centelha.
Para quem perdido é, foi melhor dos achados.
O caminho tem como farol, uma estrela.

Finalmente, seu fiel cão amigo, fora domado.
Nunca mais, do velho homem, será guia.
Anda agora, com o novo homem, ao seu lado.
Há de sempre ser controlado, o cão agora sabia.

Pelo novo caminho, sem pedras, viu a beleza.
Jamais reparara, por onde andara ou estivera.
O novo homem agora era parte da natureza.
Deixava agora, sua antiga vida dura, severa.

Eis que, no caminho, surge uma fina e longa ponte.
Caminho desconhecido. Provação a ser superada.
Se por ela atravessar, alcançará o divino, sua fonte.
Quero atravessá-la e continuar minha caminhada.

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Escrita em agosto de 2011, fazia parte de uma carta escrita à um Mestre.
O cão em questão é uma metáfora aos sentimentos viciosos/negativos que temos e que nos atrasam. Devemos domá-los e não deixar que eles nos dominem.
Um desses sentimentos que pessoalmente julgo perigoso, é o MEDO. Se você deixar, o medo te impede de seguir em frente. Ele pode até te devorar e, fatalmente, você deixará de viver.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Vida e morte, razão e emoção.



O fio da vida, meu destino,
Passa sobre um precipício.

Nele, permito-me balançar,
Pulo, salto, livre ao ar.

Atravesso-o com segurança,
Ao invés de passos, uma dança.

Deito, rolo, nele me penduro,
Gozo, curto todo seu percurso.

Medo de cair? Claro! Não sou louco!
Uso a razão, sempre penso um pouco.

Porque, perto de não mais viver,
Quero olhar para trás e falar com prazer:

Esta vida, eu vivi.

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Escrita em janeiro de 2016,  quando fiz minha 7ª tatuagem.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Da minha janela, eu já vi...


Uma vizinha pequena,
Crescer até a adolescência.

Um vizinho caminhando,
Em forma? Nem tanto...

Gatos miando no telhado,
Na madrugada, muito chato!

Um ladrão arrombando uma loja,
E antes da polícia chegar, foi embora.

Uma árvore que nunca deu fruto,
Suas raízes, a calçada, arrebentou tudo!

Tive que cortá-la e refazer a calçada
Já tenho uma muda, logo irei plantá-la.

Onde antes era uma, agora serão duas
Para dar mais sombra na minha rua.

Pensamentos e sonhos fugindo.
De um momento especial, lindo.

Estrelas, numa noite silenciosa,
A luz da lua, ao corpo, dando forma.

E depois de ver uma tirinha como esta,
Abrirei mais vezes a minha janela.

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Escrita em fevereiro de 2016.
Usei uma tirinha como mote (link: http://mentirinhas.com.br/mentirinhas-939/)
PS: se não conhece o trabalho do Coala, conheça!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ódio



Um celular, 
Uma conta de bar,
Um pedido de fim de relacionamento,
Um vizinho que não mais aguento. 

Nasci bom, 
Fui criado com carinho. 
Cresci noutro tom, 
Me disseram que bater era o caminho. 

Me injetaram ódio direto na cabeça,
"Bata, caso ele não te obedeça". 
Tanto ódio e rancor, 
Não há mais espaço pro amor. 

Bato, esculacho, 
Porque isso é ser "macho". 
Até o dia que isso tudo volta,
A mim, o meu filho,
Morto, numa briga na escola...

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Foto recente. Após muito tempo sem fotografar, sai com meu filho para o Parque das Dunas. Ele foi caçar Pokemon, eu fui fotografar.
O texto saiu de um mote sobre violência de uma colega de Facebook. No caso, ela relatava que alguém mandaria matar outro por causa de um celular roubado. Ou seja, a vida valeria um celular.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Navalha



Fria, gelada. Queima ao penetrar-me. Divida minha carne. Rasgue-me. Aos poucos, rubra, torna-se. Esquenta-te. Meu colo, encharca. Lentamente, afaste-se.

Observa-me. Meus últimos suspiros são seus. O terror em meu olhar, não é dor. Angústia.

Termina logo! Apunhala-me novamente! Isso!

Já não és tão fria, agora que és rubra. Já não me dói, me conforta. Mais uma, por favor. Obrigado.

Me curvo à você. Entreguei-me a ti, minha carne, meu sangue. A sós, nessa sala, não há nada a lhe dizer. A não ser...

"Agradeço à ti, fria navalha, por me ouvir."

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Escrito em 19/11/2004.
Eu sei, choca. Mas houve uma época em que escrevia nessa linha. Não sei porquê.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bate-bate



Em algum lugar, no ano de 2018, pai e filho conversam:

- Papai, me empresta o carro?
- Pra quê?
- Ah... pra dar uma volta com uma mina que eu conheci...
- Sei não meu filho... o carro é novo... aliás, carro não. Ka. Não tive grana pra comprar um carro, comprei só o Ka. Faltou grana pro "rô". Você vai acabar batendo ele e não vou ter grana para consertar.
- Ah pai! Libera aí!
- Não, meu filho, eu sei como você dirige. Você vai bater o carro, quero dizer, o Ka.
- Ah... eu dirijo com cuidado. Juro!
- Não!
- Você tá falando sem saber! Eu dirijo bem desde criança!
- Não, você não dirige bem!
- Dirijo sim!
- Não, não dirige! E eu tenho provas.
- Ah é? Mostre!
- Acessa aí: http://versosnaolidos.blogspot.com/2016/06/bate-bate.html
- ...
- Pô... valeu pai, você tem razão. Então... me empresta a moto?

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Escrito em janeiro de 2005.
Fugindo um pouco de poesias, escrevi este diálogo pouco tempo depois de ter comprado meu primeiro carro, um Ford Ka. Esta vai especialmente para meu filho que aniversariou ontem.

domingo, 14 de agosto de 2016

Um melhor domingo que o meu


Meu nome, numa lista.
Meu futuro, num papel.

Uma paixão esquisita.
Uma noiva sem véu.

Para os que buscam esse emprego
Eu trabalharei a manhã do domingo.

Um final de semana melhor que o meu, é o que te desejo.

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Essa foto é do tempo do Vestibular em que nós procurávamos nossos nomes em listas nas paredes. Meu nome já esteve em uma lista destas e eu não vi. Soube por amigos. Hoje é tudo eletrônico. Perdeu a graça :(

PS: hoje estou trabalhando em um concurso hoje (domingo).

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Uma noite diferente.


A tarde vai se fechando,
Apertando meu coração.
A noite vai ser fria,
Silenciosa, vazia.

Penso em fugir disso.
Mas, para onde eu iria?
Se houvesse um alguém,
Com quem pudesse estar...

Pensei em você, agora.
Não passa de um sonho.
Sonho acordado novamente,
Estar com você, até amanhecer.

Não, não são rimas.
Não quis um poema.
Só imaginei, sonhei,
Uma noite diferente.

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Escrita em 23/05/2005. Provavelmente numa noite em que fiquei só. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Ser feliz, eterna criança...


A lágrima pelo rosto desce
Advinda de lembrança antiga,
Um dia, um lugar, uma amiga.
O tempo corre, a gente cresce.

Para medir essa saudade,
Uso a distância ou o tempo?
É tamanha, eu não aguento.

Não era essa a minha vontade.

O futuro trouxe a mudança,
Sem medo, vivo o presente,
Sem jamais perder esperança.

Pois tiro daquela lembrança
Força para seguir em frente
E ser feliz, eterna criança...

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Um post de uma amiga no Facebook me serviu de mote para este soneto. Peguei dela algumas palavras e encaixei outras minhas. O final ficou quase igual ao que ela escreveu: "... o tempo não irá apagar de mim a esperança, a força e a vontade de seguir em frente e ser feliz".

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Esqueçam-me!


Abraça-me, ó fria mulher.
Já não quero mais. Leva!
Deixa-me somente a carne,
Que putrefa, há de ficar.

Caros vermes, ei-me aqui.
Sirvo-lhes um banquete.
Deixem-me somente os ossos,
Que brancos, hão de ficar.

Senhor, passe rápido!
Deixe-me somente pó,
Que o vento, há de levar.

E se tiver sorte,
A Morte e o Tempo,
Me darão o que peço:

Esqueçam-me!

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Escrita em 12/04/2005. Eu deveria estar com muita raiva da vida pra ter escrito isso...

domingo, 17 de julho de 2016

Primeira


A primeira foi engatada!
Finalizando os preparativos,
Para me sentir mais vivo,
Encarando uma longa estrada!

Se dizem que é perigoso,
Que melhor é de avião,
Eu prontamente digo então:
De moto é mais gostoso.

"O problema não é você",
Insistem: "são os outros",
Eu respondo meio maroto:
Foi assim que escolhi viver.

Mas não adianta explicar.
Só motociclista entende,
Essa paixão dentro a gente,
Preferir ir de moto a todo lugar.

Andar de moto, logo cedo,
Meu saudoso pai me ensinou.
Lembro-me que no primeiro voo,
Não senti um pingo de medo.

Já fui mais afoito, sem juízo.
Hoje sou mais ponderado.
Ando com muito cuidado,
Pra evitar maior prejuízo.

E assim, cada dia, eu vivo:
Se dá, de moto vou, claro!
Ainda que seja mais caro,
É melhor que viver contido!

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Escrita em 21/06/2016 quando tinha acabado de reservar hospedagem.
Estou partindo hoje para Brasília. Essa vai ser a primeira longa viagem que faço de moto. Gostaria de ter feito uma viagem desta a muito tempo atrás, mas, infelizmente, não houve oportunidade.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Doce chuva



Acordei sozinho. Chovia.
Estava frio. Levantei-me.

Como é bom sentir teu cheiro, tocar teu cabelo, abraçar-te, e só então, abrir os olhos e vê-la ao meu lado, em meu leito.

Mas acho que não passou de um sonho...

A água do chuveiro não é tão fria quando minha saudade. Se tua presença me aquece, me alegra, tua ausência me esfria o corpo, a vida.

O café amargo de minha manhã solitária, seria mais doce se fosse ao teu lado.

Saio para trabalhar. Não me importo com a chuva que cai e abro o portão. A camisa molhada pela chuva disfarça as lágrimas que caem nela.

Sento em minha cadeira, penso nas tarefas que tenho a fazer. Breves minutos de concentração. De repente, me vejo pensando em você. Passo o resto do dia distraído em meus pensamentos, em meus sonhos.

E o dia passa. Chovendo, lá fora, frio aqui dentro..

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Escrito em 21/03/2005. Lembro-me vagamente deste dia. Não, não sentia saudades de alguém, apenas chovia e as palavras vieram à mente.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Meu doce veneno


Eu bebo meu veneno todo dia.
Ele me corrói por dentro.
As entranhas, o coração, a mente.

Delicioso veneno que me viciou.
Que me consome.
Me faz adorar essa idéia de, por ele, morrer.

Esse ardor.
Queimando em minhas veias.
Coração pulsa freneticamente.
Adrenalina potencializa o veneno.
Gozo de felicidade.

Enfim, sucumbo-me à ele.
Deito-me, fraco.
Espero a hora.
Não demora.
Não estou triste.

Apenas penso no veneno que não mais terei.

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Escrita em 06/09/2005.
O meu veneno é andar de moto. Perigoso, mas delicioso. Adrenalina que corre nas minhas veias.
E você? Qual é seu veneno?

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Ao mor sentimento



Agora que jaz,
Desejado,
Não és mais.

Não ficarás,
Pútrido,
Deixado p' trás.

Enterrado, será.
Pó,
Tornar-se-á.

E como Ateu,
Rezo,
Meu adeus!

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Escrito em 09/10/2006. Acho que foi fim de relacionamento, não lembro.

PS: tenho agendado as postagens para não haver problema de deixar uma segunda-feira sem, mas acabei perdendo o controle e esta saiu com atraso.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sonhos


Gostaria que fosse um sonho
Quero acordar e chorar
Sentado na cama, tonto
Refletindo aquilo que sonhara

Gostaria de dormir, profundamente
Para sempre? Não sei ainda
Só queria sonhar com uma vida
Diferente da minha, entende?

Não. Nem eu me entendo
Sou complicado, sei disso
Nem sempre olho onde piso
As vezes, querendo, piso errado

Um passo em falso, um passo a frente
Caindo de um penhasco, num abismo
O sonho de Ícaro, para mim, eu tomo
Ao final, é mais um sonho em minha mente.

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Escrita em 12/07/2004. Não recordo bem qual foi o mote que me levou a escrever este, mas acredito que foi o filme Sonhos, de Akira Kurosawa.

E você? Quais são seus sonhos?

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Desacordado



Indo para casa, com sono
Visão turva da estrada
Um cochilo rápido, um piscar
E já não vejo mais nada.

Pedaços espalhados no asfalto
Sangue e gasolina misturados
Não preciso ir mais para casa
Não mais presente, só passado.

---------
Escrita em 18/08/2004 e não, eu não estava dirigindo bêbado. Mais uma imagem que serviu de mote.

domingo, 12 de junho de 2016

Um ano



Um ano, uma volta,
Roda, Vida, Viva,
Será a felicidade,
Que bate a porta?

Só vai saber,
Quem a porta abrir...

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Curtinho, nem lembro quando escrevi. Publicando num domingo em homenagem aos eternos namorados. Que sejam muitos anos de amor!
A foto é da alvorada na via Costeira.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

À Cadeira Vazia


Outrora, você estaria ali,
Alegrando-me, sorrindo.
Viva!

Agora, só penso em ti.
Definhando-me, chorando.
Sina!

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Escrita em 19 de maio de 2004, mais uma vez com a temática da saudade. Neste dia eu não sentia saudade. O texto veio dessa imagem, fotografada três dias antes, que serviu de mote.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O que esperar da vida?



Amanhece o dia. Mais um.
O que espero hoje? Nada!
Apenas vivo o dia.
Hoje, mais um dia de aprendizados,
De lições da vida.
Mais uma alegria ou mais uma tristeza?
Logo saberei...

Ao fim do dia, o sol se vai, a noite esfria.
Talvez pare e pense no dia que tive,
No que aprendi, do que sorri (ou chorei).
Talvez eu esteja tão cansado de viver este dia,
Que apenas me deite e apague,
Acordando amanhã para um outro dia.

Aprendemos a marcar os dias, as datas especiais.
Hoje, não me parece especial.
Apenas um dia.
Mais um dia.
Seria este meu último dia?

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Escrito em 27/04/2004.
Aprendi a dizer "curta a vida, pois a vida é curta". Hoje pode ser o último dia da minha vida, então por que me privar de vivê-lo plenamente? De saboreá-lo? Deixe o medo de que algo ruim pode lhe acontecer de lado e vá em frente. Viva!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Solidão



Solidão
Sem seus
Sinto
Somente
...

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Escrito em 12/11/2004 e reflete bem um momento atual misto de tristeza e saudade. Hoje não estou só, mas sinto falta dos meus pais.

A leitura seria cíclica: ler e reler.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

"o céu já foi azul mas agora é cinza..."



Cinzas de um amor consumido, apagado
Cinzas de um corpo cremado, em sua urna.

Sob a lareira, urna e amor repousam
Impedindo o fogo aquecer minha sala,
Minha alma, meu coração, meu corpo.

Balançando na cadeira, fico pensando
Em quando deixarei esta sala vazia
Para ser um enfeite em minha lareira.

A chuva bate na janela, delicadamente,
Como lágrimas que caem sob a madeira
Insuficientes para apagar uma chama.

Com tempo, a chuva abranda o fogo
Lágrimas, apagando a chama da vida,
Finalmente, me transformando em cinzas.

Cinzas numa urna,
Ao lado da sua.

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Escrita em 13/07/2004, com um mote dado por "Lonelymoon" (Luciana), de uma  frase de Renato Russo na musica Fábrica.
Não lembro deste dia, mas provavelmente estaria chovendo.
Reeditei. Não estava gostando do original.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Voa, toque o sol


Pra ser artista não precisa de corpo,
Basta ter imaginação e vontade.
A ideia que surge num pequeno ovo,
Quebra a casca e ganha liberdade.

Voa baixo, sem jeito, desengonçado,
Um pequeno filhote de passarinho.
De beleza e paixão, se alimentado
Cresce para voar mais alto, sozinho.

Águia que paira imponente no céu
Olhos aguçados, veem cada detalhe
De repente, tudo claro, caiu o véu
Não há mais nada que lhe atrapalhe.

Voe, toque o Sol.
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Escrita em 22/02/2015 (atualizada). Sobre escrever poesias: ninguém começa por cima, "voando alto". Iniciamos num ninho, filhotes. A inspiração deve ser alimentada com amor e carinho. Com tempo, crescemos e voamos.
PS: republicando os textos, não resisto à tentação de pequenas alterações. Claro, há também as correções de ortografia que saíram na primeira versão e estou corrigindo agora.
PS2: o blogger tem dado problemas com a formatação do texto. Daí estou revisando as publicações anteriores.

terça-feira, 3 de maio de 2016

The Sphinx and the lighting

janela com gotas de chuva

Come, come, come.
Light the night
Roar the silence.

Come, come, come.
Rumble the roof
Shiver my spine.

Can't see you,
Can't rear you.
'Cos all my fear gone
Before you come.

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Escrito em  22/07/2015, numa inspiração após folhear um de poesias de Shakespeare.
A Esfinge representa, metaforicamente, o medo que sentimos do desconhecido. Ao nos deixarmos ser dominado por ele, deixamos de viver (somos devorado pela esfinge).

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ao vento, pensamentos


Pensamentos,
No vento
Do meu
Passatempo
Preferido,
Perdidos.

Ando,
Piloto,
Corro,
Paro
Chorro,
Não volto.

Na cama,
Estabilizado,
Fraco.
Horas calado,
Pensando,
Frustrado.

Geneticamente
Determinado.
Meu destino
Será coração,
Provavelmente.
Ou não.

Apenas vivo.
Penso.
Respiro.
Entendo.
Levanto.
Sigo.

Estrada da cura.
Sem atalhos,
Não será curta.
Sozinho viajo.
Um dia, paro.
Conformado.

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Escrita no dia 13/12/2015, quando meu pai estava internado. Estrada da cura é referência ao livro escrito por Neil Peart que, após perder filha e esposa, narra sua viagem de 90 mil km em cima de uma moto. Eu tenho um pouco disso: quando estou viajando de moto, todos os problemas ficam para trás. Eu encontro uma paz interior.