segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Navalha



Fria, gelada. Queima ao penetrar-me. Divida minha carne. Rasgue-me. Aos poucos, rubra, torna-se. Esquenta-te. Meu colo, encharca. Lentamente, afaste-se.

Observa-me. Meus últimos suspiros são seus. O terror em meu olhar, não é dor. Angústia.

Termina logo! Apunhala-me novamente! Isso!

Já não és tão fria, agora que és rubra. Já não me dói, me conforta. Mais uma, por favor. Obrigado.

Me curvo à você. Entreguei-me a ti, minha carne, meu sangue. A sós, nessa sala, não há nada a lhe dizer. A não ser...

"Agradeço à ti, fria navalha, por me ouvir."

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Escrito em 19/11/2004.
Eu sei, choca. Mas houve uma época em que escrevia nessa linha. Não sei porquê.

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