segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Vida e morte, razão e emoção.



O fio da vida, meu destino,
Passa sobre um precipício.

Nele, permito-me balançar,
Pulo, salto, livre ao ar.

Atravesso-o com segurança,
Ao invés de passos, uma dança.

Deito, rolo, nele me penduro,
Gozo, curto todo seu percurso.

Medo de cair? Claro! Não sou louco!
Uso a razão, sempre penso um pouco.

Porque, perto de não mais viver,
Quero olhar para trás e falar com prazer:

Esta vida, eu vivi.

----------
Escrita em janeiro de 2016,  quando fiz minha 7ª tatuagem.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Da minha janela, eu já vi...


Uma vizinha pequena,
Crescer até a adolescência.

Um vizinho caminhando,
Em forma? Nem tanto...

Gatos miando no telhado,
Na madrugada, muito chato!

Um ladrão arrombando uma loja,
E antes da polícia chegar, foi embora.

Uma árvore que nunca deu fruto,
Suas raízes, a calçada, arrebentou tudo!

Tive que cortá-la e refazer a calçada
Já tenho uma muda, logo irei plantá-la.

Onde antes era uma, agora serão duas
Para dar mais sombra na minha rua.

Pensamentos e sonhos fugindo.
De um momento especial, lindo.

Estrelas, numa noite silenciosa,
A luz da lua, ao corpo, dando forma.

E depois de ver uma tirinha como esta,
Abrirei mais vezes a minha janela.

---------
Escrita em fevereiro de 2016.
Usei uma tirinha como mote (link: http://mentirinhas.com.br/mentirinhas-939/)
PS: se não conhece o trabalho do Coala, conheça!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ódio



Um celular, 
Uma conta de bar,
Um pedido de fim de relacionamento,
Um vizinho que não mais aguento. 

Nasci bom, 
Fui criado com carinho. 
Cresci noutro tom, 
Me disseram que bater era o caminho. 

Me injetaram ódio direto na cabeça,
"Bata, caso ele não te obedeça". 
Tanto ódio e rancor, 
Não há mais espaço pro amor. 

Bato, esculacho, 
Porque isso é ser "macho". 
Até o dia que isso tudo volta,
A mim, o meu filho,
Morto, numa briga na escola...

-----------
Foto recente. Após muito tempo sem fotografar, sai com meu filho para o Parque das Dunas. Ele foi caçar Pokemon, eu fui fotografar.
O texto saiu de um mote sobre violência de uma colega de Facebook. No caso, ela relatava que alguém mandaria matar outro por causa de um celular roubado. Ou seja, a vida valeria um celular.