segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Navalha
Fria, gelada. Queima ao penetrar-me. Divida minha carne. Rasgue-me. Aos poucos, rubra, torna-se. Esquenta-te. Meu colo, encharca. Lentamente, afaste-se.
Observa-me. Meus últimos suspiros são seus. O terror em meu olhar, não é dor. Angústia.
Termina logo! Apunhala-me novamente! Isso!
Já não és tão fria, agora que és rubra. Já não me dói, me conforta. Mais uma, por favor. Obrigado.
Me curvo à você. Entreguei-me a ti, minha carne, meu sangue. A sós, nessa sala, não há nada a lhe dizer. A não ser...
"Agradeço à ti, fria navalha, por me ouvir."
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Escrito em 19/11/2004.
Eu sei, choca. Mas houve uma época em que escrevia nessa linha. Não sei porquê.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Bate-bate
Em algum lugar, no ano de 2018, pai e filho conversam:
- Papai, me empresta o carro?
- Pra quê?
- Ah... pra dar uma volta com uma mina que eu conheci...
- Sei não meu filho... o carro é novo... aliás, carro não. Ka. Não tive grana pra comprar um carro, comprei só o Ka. Faltou grana pro "rô". Você vai acabar batendo ele e não vou ter grana para consertar.
- Ah pai! Libera aí!
- Não, meu filho, eu sei como você dirige. Você vai bater o carro, quero dizer, o Ka.
- Ah... eu dirijo com cuidado. Juro!
- Não!
- Você tá falando sem saber! Eu dirijo bem desde criança!
- Não, você não dirige bem!
- Dirijo sim!
- Não, não dirige! E eu tenho provas.
- Ah é? Mostre!
- Acessa aí: http://versosnaolidos.blogspot.com/2016/06/bate-bate.html
- ...
- Pô... valeu pai, você tem razão. Então... me empresta a moto?
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Escrito em janeiro de 2005.
Fugindo um pouco de poesias, escrevi este diálogo pouco tempo depois de ter comprado meu primeiro carro, um Ford Ka. Esta vai especialmente para meu filho que aniversariou ontem.
domingo, 14 de agosto de 2016
Um melhor domingo que o meu
Meu nome, numa lista.
Meu futuro, num papel.
Uma paixão esquisita.
Uma noiva sem véu.
Para os que buscam esse emprego
Eu trabalharei a manhã do domingo.
Um final de semana melhor que o meu, é o que te desejo.
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Essa foto é do tempo do Vestibular em que nós procurávamos nossos nomes em listas nas paredes. Meu nome já esteve em uma lista destas e eu não vi. Soube por amigos. Hoje é tudo eletrônico. Perdeu a graça :(
PS: hoje estou trabalhando em um concurso hoje (domingo).
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Uma noite diferente.
A tarde vai se fechando,
Apertando meu coração.
A noite vai ser fria,
Silenciosa, vazia.
Penso em fugir disso.
Mas, para onde eu iria?
Se houvesse um alguém,
Com quem pudesse estar...
Pensei em você, agora.
Não passa de um sonho.
Sonho acordado novamente,
Estar com você, até amanhecer.
Não, não são rimas.
Não quis um poema.
Só imaginei, sonhei,
Uma noite diferente.
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Escrita em 23/05/2005. Provavelmente numa noite em que fiquei só.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Ser feliz, eterna criança...
A lágrima pelo rosto desce
Advinda de lembrança antiga,
Um dia, um lugar, uma amiga.
O tempo corre, a gente cresce.
Para medir essa saudade,
Uso a distância ou o tempo?
É tamanha, eu não aguento.
Não era essa a minha vontade.
O futuro trouxe a mudança,
Sem medo, vivo o presente,
Sem jamais perder esperança.
Pois tiro daquela lembrança
Força para seguir em frente
E ser feliz, eterna criança...
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Um post de uma amiga no Facebook me serviu de mote para este soneto. Peguei dela algumas palavras e encaixei outras minhas. O final ficou quase igual ao que ela escreveu: "... o tempo não irá apagar de mim a esperança, a força e a vontade de seguir em frente e ser feliz".
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