quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Pé no chão



Cá estou, na rede a balançar
Bebendo cerveja, por mim feita,
Melhor sensação não há!

Penso na vida, no que fazer:
Pelas estradas do mundo,
Me perder, antes de morrer.

Vou de moto, a pé ou avião.
Sair dos roteiros comuns,
Lugares poucos visitados,
Comer no mercado, por que não?

Nessa hora, vale a emoção:
Coragem pra abrir a porta,
Sem pensar no dia da volta,
E meter o pé no chão.


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Escrito no feriado de 21/11/2018, enquanto vigiava meu "sobrinho" tomar banho na piscina. 

domingo, 7 de outubro de 2018

Trinta anos atrás.


Campos de concentração
Não precisarão de cercas.
Bastará, apenas, a ilusão.

Na sua mente, alquebrada,
Há uma linha, uma divisão,
Onde a vontade será confinada.

Pela repressão, pela violência
Você será tratado como animal.
Ruminar memes será normal.
Pensar será uma demência.

Comendo capim de frente à TV,
Inconformado, quer se matar.
Sabe que não pode falar ou gritar.
Porque ele te ouve e te vê.

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George Orwell, quando escreveu 1984, não criticava esquerda ou direita. Criticava sistemas autoritários. Há muito o que aprender neste livro. Recomendo.
Foto: Crepúsculo Obscuro, Araguaina/TO, abril de 2004.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Morte


Na tua essência,
És convalescença.
Torna descrença,
Minha ciência.

Na luz prometida,
Uma vida vazia,
Haure em anestesia.
Sombreia, encovila.

Alma, eterno ser,
Conceito caviloso,
Obsta pleno viver.

Opto pela razão,
Pelo simples gozo,
De viver em vão.

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Sou ateu.
Foto: portão de um cemitério em Jacumã/Ceará Mirm, litoral do RN.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Decerto


O errado, conserto.
Arrisco, se é incerto,
Se erro, persisto,
Até que acerto.


Decerto, eu erro.
No erro, aprendo.
Repito, insisto, 
Persigo o correto. 

O certo e o justo
Parecidos, porém,
Não andam juntos.

Pois o que é certo
Nem sempre é justo.
E o justo, malmente é certo.

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Filosofando em mesa de bar com o mestre Thiago aprendi que nem sempre o certo é justo, e o justo nem sempre é certo.
Na foto: Nina, cadela adotada por nós.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Confesso


Confesso que gostaria de ser poeta.
Até que tento, rabisco muito,
Mas não escrevo algo que presta.

Confesso que não estudo poesia.
Acredito que versos nascem no coração.
Da cabeça, com certeza, sentido não faria.

Espera! Estou certo, afinal?
Era poesia o que eu escrevia?
Sou poeta? Escrevendo tão mal?

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Foto: eclipse lunar em 28 de setembro de 2015.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Sou, vejo, vivo.


É tanto para escolher,
E tão pouco pra viver.
Como optar em ser?

Ser viajante, sem nunca ir distante
Ser leitor, de livros fixos na estante
Ser tudo, sendo pouco, só o bastante.

Sigo meu caminho, pelo meio.
Sentir dor, quando desvio, receio.
É estrada longa, infinda, de anseios.
Sempre seguir e um dia chegar, creio.

Tudo ao meu tempo, apenas sigo.
Não desisto, persigo, persisto.
Posto que, se ainda respiro,
Sou, sinto, e me vejo: vivo.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O corpo



Meu corpo não é oco!
Abra tua mente imunda!
Não sejas tão tosco,
Vá além do peito e bunda!

Quer conversar, numa boa?
Venha logo, sou toda sua!
Que apenas beijar uma boca?
Serventia é a porta da rua.

Minha vida, minhas regras.
Meu corpo, meu templo.
Foda-se, se achas piegas!

Se esperavas algo diferente,
Sinto muito desapontá-lo.
Ô atraso, sai da minha frente!

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O mote veio de uma amiga: "Será que tô vulgar? O que os outros vão pensar? Mas quer saber?! FODA-SE!!! "
Foto: autorretrato - eu e a tatuagem do meu filho.

 

Reescrevendo em 2021:

Entenda, meu corpo não é oco!
Abra tua mente imunda!
Amadureça! Não sejas tosco,
E vá além do peito e bunda!

Se queres conversar numa boa,
Começa logo, sou toda sua!
Quer apenas beijar uma boca?
Mui serve, a porta da rua.

Papo reto, por favor, entendas:
Meu corpo, meu templo, minhas regras.
Que te lasque, se achas piegas!

Esperavas algo diferente?
Escuta bem, imagem das trevas,
Trata de vazar da minha frente!