segunda-feira, 25 de julho de 2016
Esqueçam-me!
Abraça-me, ó fria mulher.
Já não quero mais. Leva!
Deixa-me somente a carne,
Que putrefa, há de ficar.
Caros vermes, ei-me aqui.
Sirvo-lhes um banquete.
Deixem-me somente os ossos,
Que brancos, hão de ficar.
Senhor, passe rápido!
Deixe-me somente pó,
Que o vento, há de levar.
E se tiver sorte,
A Morte e o Tempo,
Me darão o que peço:
Esqueçam-me!
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Escrita em 12/04/2005. Eu deveria estar com muita raiva da vida pra ter escrito isso...
domingo, 17 de julho de 2016
Primeira
A primeira foi engatada!
Finalizando os preparativos,
Para me sentir mais vivo,
Encarando uma longa estrada!
Se dizem que é perigoso,
Que melhor é de avião,
Eu prontamente digo então:
De moto é mais gostoso.
"O problema não é você",
Insistem: "são os outros",
Eu respondo meio maroto:
Foi assim que escolhi viver.
Mas não adianta explicar.
Só motociclista entende,
Essa paixão dentro a gente,
Preferir ir de moto a todo lugar.
Andar de moto, logo cedo,
Meu saudoso pai me ensinou.
Lembro-me que no primeiro voo,
Não senti um pingo de medo.
Já fui mais afoito, sem juízo.
Hoje sou mais ponderado.
Ando com muito cuidado,
Pra evitar maior prejuízo.
E assim, cada dia, eu vivo:
Se dá, de moto vou, claro!
Ainda que seja mais caro,
É melhor que viver contido!
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Escrita em 21/06/2016 quando tinha acabado de reservar hospedagem.
Estou partindo hoje para Brasília. Essa vai ser a primeira longa viagem que faço de moto. Gostaria de ter feito uma viagem desta a muito tempo atrás, mas, infelizmente, não houve oportunidade.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Doce chuva
Acordei sozinho. Chovia.
Estava frio. Levantei-me.
Como é bom sentir teu cheiro, tocar teu cabelo, abraçar-te, e só então, abrir os olhos e vê-la ao meu lado, em meu leito.
Mas acho que não passou de um sonho...
A água do chuveiro não é tão fria quando minha saudade. Se tua presença me aquece, me alegra, tua ausência me esfria o corpo, a vida.
O café amargo de minha manhã solitária, seria mais doce se fosse ao teu lado.
Saio para trabalhar. Não me importo com a chuva que cai e abro o portão. A camisa molhada pela chuva disfarça as lágrimas que caem nela.
Sento em minha cadeira, penso nas tarefas que tenho a fazer. Breves minutos de concentração. De repente, me vejo pensando em você. Passo o resto do dia distraído em meus pensamentos, em meus sonhos.
E o dia passa. Chovendo, lá fora, frio aqui dentro..
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Escrito em 21/03/2005. Lembro-me vagamente deste dia. Não, não sentia saudades de alguém, apenas chovia e as palavras vieram à mente.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Meu doce veneno
Eu bebo meu veneno todo dia.
Ele me corrói por dentro.
As entranhas, o coração, a mente.
Delicioso veneno que me viciou.
Que me consome.
Me faz adorar essa idéia de, por ele, morrer.
Esse ardor.
Queimando em minhas veias.
Coração pulsa freneticamente.
Adrenalina potencializa o veneno.
Gozo de felicidade.
Enfim, sucumbo-me à ele.
Deito-me, fraco.
Espero a hora.
Não demora.
Não estou triste.
Apenas penso no veneno que não mais terei.
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Escrita em 06/09/2005.
O meu veneno é andar de moto. Perigoso, mas delicioso. Adrenalina que corre nas minhas veias.
E você? Qual é seu veneno?
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