segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Andar, pensar, ficar.


Ando sem pensar,
Penso em parar
E aqui, ficar

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Escrita em janeiro 2007. Pensei em complementar, mas decidi que "aqui, ficar" tá bom demais.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Com um pingo, brinco.


Uma gota que cai
Um pingo salgado
Tristeza que esvai.

Uma gota no chão
Enche uma poça
Alegrias que vão.

Ontem, chorei,
Amanhã, beberei.

Hoje, apenas brinco
Fotografando um pingo.

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Escrita em dezembro 2006. O mote foi a foto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Amor, felicidade e lágrimas.


O amor proibido,
Não é impossível.
Pode ser adiado,
Mas não apagado.

Meu coração arde, queima,
Por não poder ser por alguém.
Mesmo assim, ele ainda teima,
Não há de bater por outrem.

Somente os teus braços me acalmam.
Teu sorriso, teu carinho, me conforta.
"Por outro, também pode sentir", falam
"Por nenhum, tanto sofri", é o que importa.

Quero viver o que escolhi,
Escrever minha história.
Meu coração que bate, por ti
Ele tem vida própria.

Contra, não adianta lutar.
Se eu não consigo mudar,
Ninguém mais conseguirá.
Então, só me resta chorar.

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Escrita em novembro 2006 para uma amiga carioca que conheci somente pela net. Partilhávamos da cinofilia pela mesma raça.
Na época, ela passava por uma complicação amorosa e eu pouco pude ajudar. Faltava-me conhecê-la mais para poder dizer algo que não pudesse fazê-la errar ou pudesse machucá-la.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O mel é doce, mas o ferrão dói.


Qual será o gosto do mel
Tirado da flor de urucum?
Será o gosto amargo do fel?

Tu não me enganas mais,
Sei que, em jardins, não voas
O bom e doce mel, já não faz.

O ferrão ainda usa, sem dó
Ferroa e deixa o veneno
Morra junto, torne-se pó

Morrem, cada qual em seu lado
Sem se verem, apenas supõem
Que o outro esteja morto, enterrado.

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Escrito em novembro de 2006.
As abelhas produzem um mel doce, mas a ferroada dói. E quando ferroam a nós, deixam com o ferrão, parte do abdome para morrerem logo em seguida. Elas morrem sonhando que mataram.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O caminho do velho homem.


Por vários caminhos, por todos descaminhos
Sem destino certo, o velho homem seguia.
Tendo como companheiro, fiel amigo canino.
Que por muitas vezes, no escuro, lhe era guia.

Não lembrava, o velho homem, de onde viera.
Tampouco pensou, nem um só dia, onde chegaria.
Vagava sem direção, mais um passageiro na Terra.
Dizia-se livre, mas era escravo de sua própria alforria

Tropeça, ao longo dos caminhos, em pedras.
Pobre velho homem. A verdade não enxerga.
Levanta-se, machucado, queda após queda.
A natureza, sábia, sua descrença enverga.

Surge-lhe, segurando uma vela, uma jovem sábia.
"Este é o caminho certo a seguir", disse ela.
Seu fiel cão é contra. Rosna. Usa sua lábia.
Mas o homem o doma. E da sábia, aceita a vela.

Segue, o velho homem, o caminho apontado.
Para a curiosidade, acendeu um a centelha.
Para quem perdido é, foi melhor dos achados.
O caminho tem como farol, uma estrela.

Finalmente, seu fiel cão amigo, fora domado.
Nunca mais, do velho homem, será guia.
Anda agora, com o novo homem, ao seu lado.
Há de sempre ser controlado, o cão agora sabia.

Pelo novo caminho, sem pedras, viu a beleza.
Jamais reparara, por onde andara ou estivera.
O novo homem agora era parte da natureza.
Deixava agora, sua antiga vida dura, severa.

Eis que, no caminho, surge uma fina e longa ponte.
Caminho desconhecido. Provação a ser superada.
Se por ela atravessar, alcançará o divino, sua fonte.
Quero atravessá-la e continuar minha caminhada.

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Escrita em agosto de 2011, fazia parte de uma carta escrita à um Mestre.
O cão em questão é uma metáfora aos sentimentos viciosos/negativos que temos e que nos atrasam. Devemos domá-los e não deixar que eles nos dominem.
Um desses sentimentos que pessoalmente julgo perigoso, é o MEDO. Se você deixar, o medo te impede de seguir em frente. Ele pode até te devorar e, fatalmente, você deixará de viver.