segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O caminho do velho homem.


Por vários caminhos, por todos descaminhos
Sem destino certo, o velho homem seguia.
Tendo como companheiro, fiel amigo canino.
Que por muitas vezes, no escuro, lhe era guia.

Não lembrava, o velho homem, de onde viera.
Tampouco pensou, nem um só dia, onde chegaria.
Vagava sem direção, mais um passageiro na Terra.
Dizia-se livre, mas era escravo de sua própria alforria

Tropeça, ao longo dos caminhos, em pedras.
Pobre velho homem. A verdade não enxerga.
Levanta-se, machucado, queda após queda.
A natureza, sábia, sua descrença enverga.

Surge-lhe, segurando uma vela, uma jovem sábia.
"Este é o caminho certo a seguir", disse ela.
Seu fiel cão é contra. Rosna. Usa sua lábia.
Mas o homem o doma. E da sábia, aceita a vela.

Segue, o velho homem, o caminho apontado.
Para a curiosidade, acendeu um a centelha.
Para quem perdido é, foi melhor dos achados.
O caminho tem como farol, uma estrela.

Finalmente, seu fiel cão amigo, fora domado.
Nunca mais, do velho homem, será guia.
Anda agora, com o novo homem, ao seu lado.
Há de sempre ser controlado, o cão agora sabia.

Pelo novo caminho, sem pedras, viu a beleza.
Jamais reparara, por onde andara ou estivera.
O novo homem agora era parte da natureza.
Deixava agora, sua antiga vida dura, severa.

Eis que, no caminho, surge uma fina e longa ponte.
Caminho desconhecido. Provação a ser superada.
Se por ela atravessar, alcançará o divino, sua fonte.
Quero atravessá-la e continuar minha caminhada.

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Escrita em agosto de 2011, fazia parte de uma carta escrita à um Mestre.
O cão em questão é uma metáfora aos sentimentos viciosos/negativos que temos e que nos atrasam. Devemos domá-los e não deixar que eles nos dominem.
Um desses sentimentos que pessoalmente julgo perigoso, é o MEDO. Se você deixar, o medo te impede de seguir em frente. Ele pode até te devorar e, fatalmente, você deixará de viver.

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