Como posso ser teu amante, se me mantém tão distante
Como posso ser teu namorado, se mantém amarrado
Como posso ser contigo casado, se me mandas ficar calado.
Percebas que tua briga não é comigo.
Antes de casados, éramos amigos.
Sim. Mudamos. E o motivo, vos digo:
Brigas porque vês em mim, você.
Refletido no meu eu, é o teu ser.
E vais negar, pois, não queres crer.
Sinto muito, mas é essa é a verdade.
Você, antes, eras toda, apenas, saudade.
Agora, casados, saudade virou eternidade.
Atenta aos meus defeitos, esqueces dos teus.
Jogas minhas qualidades e virtudes no breu.
Tudo vira desculpa para você me dar um adeus.
Ah... paciência tem limite. Com você, já estourei.
Sim, mais de uma vez. Perdi a cabeça. Gritei: ei!
E disse coisas que, certamente, te magoei.
Cada lasca que cai do nosso coração,
Se não coladas, perdem-se pelo chão.
E, aos poucos, o amor termina no caixão.
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Aqui tem uma primeira parte escrita num momento, creio, de discussão. O resto veio bem depois, quando já se passou a briga e o motivo foi esquecido.